Nasceu em, Icolo e Bengo, Catete, Angola, em 1922 e faleceu em 1979.
Após ter concluído os seus estudos liceais, Agostinho Neto trabalhou nos Serviços de Saúde de Angola, demonstrando desde logo um profundo sentido de nacionalismo, pelo que pertenceu ao movimento cultural para a independência de Angola. E, mesmo dispondo de uma situação económica precária, decidiu rumar a Portugal para se licenciar em Medicina, tendo-se matriculado primeiro na Universidade de Coimbra e posteriormente na de Lisboa, onde para concluir os seus objectivos, tendo obtido o grau académico de Doutor, teve de sujeitar às discriminações raciais e a perseguições políticas que culminaram com várias prisões, deportação e, por fim o exilo.
Num dos momentos de privação da liberdade, mais propriamente em 1955, revelou-se o poeta narrador das condições da vida do povo angolano e da esperança no futuro, e surgiu um opúsculo de poemas.
Em 1956, fundaram-se em Angola vários movimentos patrióticos para a implantação do MPLA, Movimento Popular para Libertação de Angola, o movimento que iniciaria uma luta armada contra as estruturas da política salazarista que impediam a independência do espaço colonial. Foi Agostinho o homem que chefiou o exército, formado por gente das áreas urbanas, quer fossem eles intelectuais, quanto operários e gradualmente povo das periferias.
Longo foi o seu percurso político no exterior, mas Agostinho Neto, que havia ganho grande prestígio internacional e em 1963 já eleito Presidente do MPLA, lançou-se num trabalho de divulgação diplomática para consolidação do movimento a que presidia.
Com a implantação da democracia em Portugal, a 25 de Abril de 1974, o Presidente, que foi o primeiro da República Popular de Angola, regressou a Luanda no dia 4 de Fevereiro de 1975, dirigindo toda a política para que a 11 de Novembro desse mesmo ano fosse proclamada a independência.
Palpitam-me
os sons do batuque
e os ritmos melancólicos do blue
Ó negro esfarrapado do Harlem
ó dançarino de Chicago
ó negro servidor do South
Ó negro de África
negros de todo o mundo
eu junto ao vosso canto
a minha pobre voz
os meus humildes ritmos.
Eu vos acompanho
pelas emaranhadas áfricas
do nosso Rumo
Eu vos sinto
negros de todo o mundo
eu vivo a vossa Dor
meus irmãos.
(A renúncia impossível)
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