AMÉLIA DALOMBA , nasceu na Cidade de Cabinda - Angola em Novembro de 1961.
Tem artigos e poemas publicados em revistas, jornais e participações em CDs de músicos Angolanos, com letras e músicas.
Um dos temas que trata nos seus materiais de divulgação relaciona-se, com o papel e o lugar da mulher na Literatura Angolana.
A sua poesia está incluída em colectâneas e livros colectivos, nomeadamente:
- Antologia da Poesia Feminina dos Palop (1998), do crítico Espanhol Xosé Lois Garcia;
- Antologia do Mar na poesia Africana de Língua Portuguesa do século XX, Angola (2000), de Cármen Lúcia Tindó, crítica Brasileira;
- Antologia “O Amor tem Asas de Ouro” (2006), Poesia, UEA;
- Antologia da Moderna Poesia Angolana de Botelho de Vasconcelos (2006), UEA;
- Cacimbo 2000 , Editora Patrick Houdin-Allliance Francaise de Luanda;
- Participação no Livro” Meu Céu, Céu de todos, Céu de Cada Um” (2006), de José Renan de Medeiros, Zian Editora, S. Paulo, Brasil.
É galardoada com a Ordem do Vulcão (Medalha de Mérito de 1º Grau) da República de Cabo Verde , e membro da União dos Escritores Angolanos (UEA).
Obras Publicadas:
Ânsia. Poesia, UEA (1995)
Sacrossanto Refúgio. Poesia, Editora Edipress (1996)
Espigas do Sahel . Editora kilomlombe (2004)
Noites Ditas à Chuva. UEA (2005)
Aos Teus Pés, Quanto Baloiça o Vento. Zian Editora (2006)
Sinal de Mãe Nas Estrelas, Zian-2008-12-09
CD-Instrumental- Verso, Prece e canto- Ngola Música-2007
Licenciada em psicologia geral, estudante de filosofia
Formação profissional em administração de empresas
Ambiente e desenvolvimento, informática e formação política
Idiomas que fala:
Português, francês, russo, espanhol, crioulo e m’binda
as estrelas cortejam a nossa terra
só as mães cujos filhos cresceram-diria o poeta
sabem o que é senti-los distantes como as estrelas
e agarrando-se ao mastro da dor
só as mães sabem com certeza
ler as palmas desvairadas ao vento quando os olhos se perdem
na sombra duma ilusão em fragmentos
só as mãos das mães sabem os sinais das estrelas
nos filhos que se perdem todos os dias, por detrás do ódio
na noite e em dia pleno é sempre de amor
o amor que pelas mães todas as estrelas à terra fazem sinais
TANTÃS DA MEMÓRIA
nas recordações da minha infância tantãs cadenciaram os passos da força do mal
sulcos de ansiedade e medo nos rostos inocentes
homens e mulheres rendidos ao magistral poder dum punhal chapinaram tal alimárias selvagens com gargalhadas escondendo a alma
nas recordações da minha infância tantãs cadenciaram os passos da força do mal
dança e cânticos de morte impuseram-se sobre os botões da alegria em canteiros de paz
sobre o abraço seguro em noite de trovões
a certeza da mãe no quarto escuro das minhas emoções
Hoje
sentada à sombra das recordações da infância cheguei à minha aldeia de areias do deserto coberta
ossadas de bichos e caveiras humanas semeadas nas dunas lembram-me das gentes e seres que outrora foram
mãos e corpos do som e da dança dos nossos tantãs
nos silvos do vento ouço gargalhadas serão da chacina na boca do tempo
serão as torturas daqueles que sofreram
ou as almas penadas dos que procederam ditar à morte a vergonha e o remorso de si mesmos
tantãs da minha aldeia trazidos na saudade levem esses gritos
esses ecos dum tempo que quero esquecer
no silêncio de luz onde meu sonho de amor e perdão enfim renasçe
A RÍTMICA DAS CORES DE PAZ REPLETAS
Ao Miguel da Franca
...e quando das cores em coro, a poesia acontece, a superfície ganha forma
o vento e o capim no cacimbo discorrendo por Luanda adentro
o violino nos dedos dum mar inventado
uma cidade
o campo
um cometa
chuvas em temporadas de sonhos
o sol escondido no horizonte traceja o abstracto
a pureza onde rítmica dos tons comprovam,o universo da arte
na tela s sinfonia das cores,pelos dedos do artista indiciando o belo em todas as cores sentidas em todos os traços de paz repletos
ONDE OS OLHOS INVENTAM
Ao Mayembe
a obra tilintando vibra
e tudo se contorna de ritmo
mas ninguém escuta, os gemidos dos gnomos enleados no bronze,
soltos pela madeira, onde os olhos inventam imagens
o grito da desgraça a todos toca
calam as obras, fazem o artista o despertador de surdos o guia de cegos ao meio dia
fenecido na esfomeada boca contorcendo-se com a consciência aos gritos onde impera o medo quando tudo calcinando vai desafiando o artista
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