À Noite…para Ti
Rendi-me ao encanto da noite e olhei-te.
Como se olha uma aguarela pintada nas cores do oceano,
deixei que a minha vontade se pintasse na mesma cor.
Esqueci os segredos,
troquei as memórias por um pedaço de mar
e sonhei-te. Sonhei-te nas palavras
de um sonho ainda por escrever,
e deixei que a dança me levasse, esquecendo
que quando a lua adormece
todos os sonhos podem acabar.
Desprendi os gestos, soltei a atitude
e reinventei cada pedaço de mim
para que as palavras não se esgotassem no tempo .
E aos primeiros raios de sol, fechei os olhos
e prolonguei o sonho,
sucumbindo a cada lembrança de um beijo teu.
Momento
A cada momento a vida surpreende-me
e atraiçoa-me as forças.
Não é justo.
Até as palavras deixam de ter atitude
e o sentido passa a ser por conta de outrem.
Acendi a luz do candeeiro de pé
mas as paredes continuaram vazias.
Um silêncio ensurdecedor, arrepiante.
Quisera ouvir a tua voz…
mas até a memória me atraiçoa!
Ali o verde é mais verde
Ali o verde cheira a verde
Ali tudo é verde
O ar cheira a verde
O Arco-íris é verde
Em tantos tons de verde
Que até o Sol seria verde
Se o verde dele não precisasse
Para ser verde.
Mas o Sol não é verde
Ali o sol é moreno
Que dá à pele negra mais moreno
Que dá à minha pele mais moreno
Que mesmo não sendo negra
É filha do mesmo sol!
apl in “África” ©
Sou da mesma terra que tu
Quando te disse
Que era da terra selvagem
Do vento azul
E das praias morenas...
Do arco-íris das mil cores
Do Sol com fruta madura
E das madrugadas serenas....
Das cubatas e musseques
Das palmeiras com dendém
Das picadas com poeira
Da mandioca e fuba também...
Das mangas e fruta pinha
Do vermelho do café
Dos maboques e tamarindos
Dos cocos, do ai u'é...
Das praças no chão estendidas
Com missangas de mil cores
Os panos do Congo e os kimonos
Os aromas, os odores...
Dos chinelos no chão quente
Do andar descontraído
Da cerveja ao fim da tarde
Com o Sol adormecido...
Dos merenges e do batuque
Dos muquixes e dos mupungos
Dos imbondeiros e das gajajas
Da macanha e dos maiungos.
Da cana doce e do mamão
Da papaia e do caju...
Tu sorriste e sussurraste
"Sou da mesma terra que tu!"
Ana Paula Lavado, in, Um Beijo... Sem Nome
ANA PAULA LAVADO PEREIRA
Nasceu em Angola a 19 de Julho de 1960.
Experiência Profissional:
De 2007 - 2009 na área Restauro e Encadernação de livros e documentos, exercendo o cargo de “ Técnica de Restauro” na empresa Ana Paula Lavado Pereira, Esposende.
De 1995 – 1998 trabalhou na área da Restauração, desempenhando o cargo de “Gerente de Restauração” com responsabilidade por todo o funcionamento da unidade empregadora de Cardosos Lda, Esposende.
De 1993 -1995 ocupou o cargo de “Directora Técnica”, com responsabilidade pelo sector produtivo e qualidade, na área de alojamento e restauração, empresa Anjal Lda, Mangualde
De 1982 – 1992 activou, com o cargo de “Sócia Gerente de Empresa Têxtil” na empresa Ana Paula & Lopes, Lda, Barcelos
Educação e formação
De 05/2004 a 07/2004 fez formação na IEFP, Viana do Castelo, tendo sido conferida a qualificação pedagógica para dar formação.
De 07/1998 a 07/2000, fez estágio profissional na Biblioteca do Porto na área de “Técnica de Restauro e encadernação, nível3”.
Em 1982 fez formação no IEFP (Biblioteca Municipal de Barcelos), concluindo o 3º ano.
De 1979 -1981 fez formação no Instituto Britânico do Porto - Delegação de Barcelos, com a qualificação de frequência do 1º ano
De 1979 – 1980 pelo Instituto Superior do Serviço Social do Porto, Porto fez formação com a
designação da qualificação atribuída ao Ano Propedêutico (12º ano).
No âmbito do “Domínio Profissional”, destacou-se domínio profissional na área da Tecnologia de Materiais, Técnicas de Restauro, de Encadernação, de Conservação e de Preservação e práticas de Restauro.
Como aptidões e competências sociais, salienta-se o espírito de equipa e capacidade de adaptação a ambientes multiculturais, adquirida na vivência em África.
Aptidões e competências artísticas Escrita - Poesia
Publicação de dois livros de Poesia:
- «Vozes do Vento» em 2007
- «Um Beijo... Sem Nome» em 2008
Nota Biográfica da poeta
Arredondou a barriga da mãe no ano de 1960.
O sol de Angola brilhou à sua chegada.
Já roida pela saudade veio para Portugal.
Como muitos... como muitos...
Deambulou, buscando poiso.
Encontrou-o no local onde o Cávado enche a barriga do mar.
Em Esposende amou, teve 4 filhos e maturou as palavras.
Perdeu... cresceu... chegou à idade da madureza.
Em 2007 lançou "Vozes do Vento".
Talvez atordoada com as rajadas do vento norte,
Encantada pela suave modorra das águas prateadas do rio,
Dois mil e oito aparece-nos com as palavras aguareladas pelo Henrique do Vale
em "Um Beijo... Sem Nome".
Esta Mulher,
Mãe,
Amante,
Poeta,
é
Ana Paula Lavado
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