Dulce Braga, nasceu em 16 de abril de 1958 na Nharêa, uma vila da província do Bié no coração de Angola, onde cursou a escola primária.
Dez anos depois, continua seus estudos como aluna interna do Colégio Nossa Senhora da Paz, no Kuito, capital da província onde permaneceu até encerrar os dois últimos anos pré universitários, no Liceu Nacional Silva Cunha, ainda na mesma cidade.
No dia 26 de setembro de 1975, em meio à guerra civil, foge para o Brasil, com toda família e fixa residência em Campinas, onde em 1976 inicia a faculdade de economia na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas).
Cinco anos depois, casada e empresária do ramo de confecções, mergulha na grande missão de sua vida, a maternidade, com o nascimento dos filhos, Gabriela (1985) e Marcelo (1989).
Os dois viriam a se transformar nos grandes responsáveis pelo reflorescimento das memórias de sua meninice africana, por tantas vezes tema das histórias que lhes contava antes de adormecerem.
Em outubro de 2009 lança o romance autobiográfico Sabor de Maboque, que tem sua primeira edição esgotada em janeiro de 2010, ano em que a obra é também aprovada pelo Ministério da Cultura brasileiro através da lei Rouanet.
Em Maio de 2011 já com a terceira edição da obra nas livrarias, recebe da Câmara Municipal de Campinas o Diploma do Mérito Literário.
Dois meses depois da revolução portuguesa dos cravos (25 de Abril de 1974) uma jovem nascida e criada no coração de Angola, passa como de costume, suas ultimas férias escolares no verão europeu. Foram três meses de prenúncio, do rebuliço que sua vida seria dali em diante. Com o fim das férias e conseqüente retorno para a ainda colônia angolana, ela se vê vivendo e temendo por seu grande e primeiro amor, pelos seus amigos, pela sua confortável situação sócio econômica, no epicentro do rodamoinho da guerra civil angolana. É um relato verídico, quase um diário, das perdas, das dores, do medo, da angústia, da luta pela sobrevivência, do desespero e de todas as demais mazelas que as guerras invariavelmente injetam em todos os seus participes, ativos ou passivos. Um ano depois de sua chegada ao Brasil, país para onde fugiu a menos de dois meses do dia da independência de Angola (11 de Novembro de 1975), ninguém mais notava ser ela uma estrangeira. A perda do sotaque juntamente com a hibernação de toda a sua infância e adolescência, foi a maneira pragmática que inconscientemente usou para não ser questionada sobre sua origem e não mexer nas feridas que começavam a cicatrizar. Trinta anos depois o personagem por ela adotado para viver no novo país, que tão carinhosamente a recebeu, dá sinais de esgotamento e como uma árvore sem raízes reclama por elas, para que possa continuar ereta. Essa reivindicação do seu âmago, juntamente com um velho pedido de seu marido e seus filhos para que escrevesse sua experiência de vida, desencadearam um processo de resgate das memórias olfativas, gustativas, sonoras, visuais, emocionas, lingüísticas, etc. A erupção desse enorme vulcão, provoca uma profunda catarse e finalmente ela dialoga em paz com o seu pedaço por tantos anos amortecido.
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