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Filomena Malva - MinhaAngola

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Filomena Malva

Photo crop A

Filomena Malva

Nasceu em Luanda mas cresceu no Lubango.

Estudou no Liceu Diogo Cão.

Completou o primeiro ano do curso de História na Faculdades de Letras, Lubango.

Licenciou-se em História pela Universidade de Coimbra e completou uma pós- graduação em História da Expansão Portuguesa - Culturas e Políticas do Espaço Atlântico, de 1997 a 1999.

Para o curso de mestrado, Universidade de Coimbra, realizou trabalhos monográficos:

" A Ilha de Luanda: Porta Franqueada à Conquista e Colonização de Angola"

" Os Baluartes de uma Angola Seiscentista"

" O Sítio de Luanda: um contexto fisiográfico de Angola"

Trabalho sobre esclavagismo em Angola e a atlantização, séculos XVI a XVIII, que pretende publicar.

Trabalho realizado num curso de formação na Universidade de Coimbra: " O Reino do Congo - um Processo Paradigmático de Colonização".

Publicações

"O Retábulo- Mor da Capela de Nossa Senhora da Paz no Lugar da Constantina"- 1996.

Estudo inédito sobre pintura regional do século XVII.

Concurso de poesia:

Participou no concurso de poesia, com a compilação Rostos de Mulher, Fânzeres- 1996, divulgado pelo Jornal das Letras e dinamizado pelo poder local, tendo ficado em primeiro lugar ex aqueo.

  

Photo crop B

Poesia

 Prosa dialéctica

Do Homem é o futuro perfeito,
disso não é duvidoso ser meu.
Gume de desmerecimentos e méritos,
qual dialéctica prosa de seus mundos
que o dom da palavra lhe deu;
de inânime, infértil, intrépido e fecundo

 Errante

Por vezes e as vezes que são tantas

apodera-se de mim tal nostalgia

que mesmo querendo, não podia

saber do tormento, o que me espanta

 há luta em mim, soberba essência

que me prefere ser ser ignorante

do mistério que não sabe da ciência

e faz de mim nómada pensante.

Filomena Malva

Ninguém é Só

Identifico-me com a água
azul ou verde-esmeralda
e com a espuma de uma vaga
da água que bate e guarda
em si segredos de minh´alma.

Individualizo-me. Que importa.
vivo assim e assim confio,
que a água que vai e volta
copula na foz com o rio.

As Certezas que Me Ocorrem

Sentada numa cadeira de café,
aquele que procuro por comodismo,
vejo dois caminhos, contrastes de cromatismo;
um é vasto, lençol de areia dourado,
outro um abismo de azul prateado.

Descanso as impulsões emocionais,
fecho os olhos de minha inquietude
e, pedindo que a razão me ajude,
aquilato todos os prós e contras
para perceber o caminho em que te encontras.

De um lado a solidez do sólio
de deuses que expelem fortes espumas,
do outros grãos soltos de coisas algumas…
detritos expurgados de todas as impurezas
pela condição de ter de si todas todas as certezas.

Não me levantei da cadeira do café,
e pedi outro, precisava de adrenalina
para agitar o desejo que eu continha
de te encontrar, independentemente do lado,
firme à direita ou à esquerda… Nunca sentado.

In caderno não publicado, De Ser de Mim Tudo e Nada

Deleites de Minha Vida

De mim buscaste uma baga
para guardar no teu tachim
mosto virgem em boca aguada
dos bagos sãos que são de mim.

De teu corpo, o acicatado,
busco tuas gavinhas de amor
e o meu sobre o teu deitado
esquece as bagas de meu pudor.

De ébria loucura calada
lembrados de nós, em nosso mundo,
esquecemos que em cada baga
mosto é líquido pudibundo.
 

In caderno não publicado, De Ser de Mim Tudo e Nada

Coreto

Vozes em ti caladas
que com dor fez o tempo
nas mentes insaciáveis
de melodioso alimento.

Perdido na praça,
com altivez contida,
foste palco de sabor
que a mente nutre p´la vida.

In caderno não publicado,
De Ser de Mim Tudo e Nada

Acerto

O teu azul de ontem,
hoje cinzento turvo
que eu de ti recuso
pelo óbice que detém,
nem quero olhar.

Se de ti queres aumentar
o que de teu em mim havia,
fá-lo com pele de calmia
pra eu me entregar
na forma como convém.

Jogo de Fisionomia

Falas, gesticulas
músculos rígidos
ou expressivos
pelas convicções que rotulas.
Agradas-te ou discordas
da gnose emocional,
que os grilhões de tuas cordas
em teu silêncio lascivo
serão de nós bem ou mal.

Glosa

Vê a cegueira que em ti cresce
dentro de ti alva e branda,
semente que o vento canta,
glosando-te de amor breve.

A inocência que em ti fenece
dentro de ti firme e escura,
raiz é que a terra é dura.
Vê a cegueira que em ti cresce.

  Filomena Malva

  Maré Montante

São do magma, ventre terrestre, convulsas e fundas águas
marulhando suas mágoas
numa galopada equestre.

São ruídos que não mais
buscam um ser de calmia,
paleta de azul magia
que há meses havia no cais.

São gritos enegrecidos
que escura é límpida a espuma
ondeando sobre as brumas
que lhe servem de tecido.

São tidas de mil razões
que até seu deus lhe obedece
em vão, logo vão que entardece
malquistar taburnos e paradões.

Emergem águas revoltas,
do magma ventre terrestre,
cavalgando a rédeas soltas.

Filomena Malva

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