Graça Arrimar nasceu em S. Pedro da Chibia (Angola), onde concluiu o ensino primário, na escola Pinheiro Chagas. No Lubango - capital da província da Huíla – frequentou o Colégio Paula Frassinetti, o Liceu Diogo Cão e a Faculdade de Letras. Foi nesta cidade que escreveu os primeiros poemas e participou em recitais.
Em Lisboa, em 1979, na Faculdade de Letras, concluiu a licenciatura em História.
A residir e a leccionar em Tomar (Portugal), frequentou e concluiu o curso superior especializado em Arte, Arqueologia e Restauro, variante de Arte, no Instituto Superior Politécnico desta cidade.
Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa pós-graduou-se em História Regional e Local e obteve, em 2002, o grau de Mestre em História Regional e Local.
É professora de História e investigadora, tendo publicado (em 2002) a obra intitulada A Assistência da Santa Casa da Misericórdia de Tomar – Os Expostos – 1799-1823.
No campo literário, contam-se três livros publicados: Nos braços do vento (em 2000), livro que foi também apresentado ao público angolano, no Lubango, (em 2003); Viagens de sal e de mel (em 2003) e Tomar, um rio de vida (em 2005). Janelas de Orvalho encontra-se no prelo, devendo ser publicado antes do final deste ano. Colaborou, regularmente, na praça da poesia (secção de poesia) da revista literária Entre letras.
É autora /coordenadora de uma “oficina de poesia”, onde incentiva, nos jovens, o gosto pela produção de texto criativo e pela leitura expressiva de poesia em língua portuguesa, dinamizando, também, recitais de poesia, com objectivos pedagógicos.
No silêncio viajo
pelas terras de savana.
Volto a transpirar
pelos carreiros do quintal
húmidos do suor
dos meus pés descalços
na corrida à pressa
pela primeira manga
de bico torto
pelas bonecas de celulóide
e o velho baú de segredos
com chaves a fingir.
(Graça Arrimar, janelas de orvalho)
De sal e de mel
Viagens de sal
e de mel
cruzaram
o meu corpo
nas longas
marés da vida.
Em correntes
crispadas
ou ondas
de suavidade
dei-me a sabores
sorvendo lágrimas
e sorrisos.
(Graça Arrimar, Viagens de sal e de mel)
Paisagem
Corro…
as ventanias
de uma paisagem
quente
qual acácia
em agonia
ensombra planuras
de mansidão.
(Graça Arrimar, Nos braços do vento)
A encosta do castelo
O entardecer
chega de longe
e a sombra dos pombos
em bandos pardos
circunda a colina
entre nuvens cinza
e o verde matizado.
Figuras livres
de braços abertos
bordam a encosta
também lilás
adivinhando a muralha
que guarda o vale
pintado de Primavera.
(Graça Arrimar, Tomar – um rio de vida)
Meninice
Trilhando as mágicas ruas
da meninice feitas desafio
enfeitei os cabelos longos
com flores cheirando forte.
Na sombra de copa larga
de uma majestosa mulemba
desenhei mil e um poemas
com sabor a frutos de mel.
Fantasias de cores quentes
animavam em tom de festa
quando os segredos sorriam
embriagados pelos feitiços.
(Graça Arrimar, “Nos braços do vento”)
Eternidade
Os ventos brandos
e mornos
que voam
em espaço largo
trazem
o cheiro queimado
da terra farta
e prometida.
As gentes
fazem melodias
e os deuses
cantam também
longas histórias
de eternidade.
(Graça Arrimar, “Nos braços do vento”)
Paisagem
Corro...
as ventanias
de uma paisagem
quente
qual acácia
em agonia
ensombra planuras
de mansidão.
(Graça Arrimar, “Nos braços do vento”)
Chibia
Altiva e sonhadora
jorrava sons
e aromas quentes
que o planalto
embalavam.
Aquela terra...
gemia poder
e ternura
cantava
os sonhos sentidos
que noutra vida
desbravaram
criaram raízes
e morreram.
Aquela terra...
cheia de sangue
e ódios
vazia de nós
vendida aos desejos...
a minha terra.
(Graça Arrimar, “Nos braços do vento”)
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