Para se contextualizar o conceito globalizante do país que hoje é Angola, ter-se-á de se considerar a diversidade de povos, cada qual com os seus modelos linguísticos e culturais, que demarcaram as regiões territoriais, até à chegada dos portugueses que a unificou num espaço colonial, tornado independente a 11 de Novembro de 1974 enquanto nação.
Angola do período pré-colonial
Neste período destacamos os espaços sócio-culturais bantos, com os povos Cuissis e Cuepes, e banto, com os povos Ovimbundu, Ambundu, Bakongo, Lunda-Tchokué, Ngangela, Ovambo, Nhaneca, Humbe, Herero, Axindonga e Luba.
Angola do período colonial – 1483 a 1900
O período colonial inicia-se com a chegada de Diogo Cão à foz do rio Zaire, Soyo, quando, em 1483, se estabeleceu o primeiro contacto com o chefe tribal de nsi (país) Kongo, para relações comerciais que permitiram uma cristianização, não interiorizada daquele povo, que tinha sob a sua alçada político-económica o ngola, chefe de Ndongo, espaço que se estendia desde o rio Dande ao rio Kuanza.
Nessas interacções políticas e diplomáticas, esteve sempre presente a intenção de se realizar o comércio de escravos que servisse os projectos de Portugal no Brasil, apesar do ngola atrair a preferência dos portugueses, através de chamamento para a extracção da prata da Matamba que não existia. Foi uma estratégia política para levar os portugueses para espaço mais interior, já que os chefes tribais estavam interessados nesse tipo de troca comercial.
Coube a Paulo Dias de Novais a concretização da chegada, em 1575, à ilha de Luanda, por lhe ter sido dada carta régia (documento oficial da época que só os reis podiam conceder) para que se apropriasse de um novo espaço colonial.
Em 1576, Paulo Dias de Novais passou para terra mais firme (planalto de Luanda), onde deu origem a uma povoação e exerceu o cargo de primeiro governador de Angola.
Luanda era um lugar protegido pela ilha e bem localizado para penetração para os espaços interiores, por via do rio Kuanza, para que a apropriação da referida prata da Matamba se fizesse. Mas, à medida que foram entrando para estabelecer contactos com os chefes tribais, os portugueses encontraram as suas concordâncias na concretização tráfego negreiro. E, no século XVI, com este tipo de actividade comercial, foram-se construindo os presídios (fortes portugueses para realização de trocas) de Massangano, Muxima, Cambambe, Ambaca, Pungo-a-Ndongo, Caconda, Hanha, Nkoge e Novo Redondo, apoderando-se, gradualmente do território que viria a constituir uma parte de Angola, que se estenderia até Benguela no sentido litoral sul, com a construção de uma capitania (distrito da antiga ex-colónias) autónoma de Luanda e com um porto comercial importante para circulação de escravos, tanto para Luanda quanto para o Brasil.
Dada a importância desta actividade económica, no século XVI os holandeses tentaram expulsar os portugueses de Luanda, Benguela, Soyo e barras dos rios Bengo e Kuanza. Contudo, o tráfego para as Américas (Brasil e Antilhas) não decresceu, a não ser no século XIX com da abolição da escravatura no Brasil, o que permitiu um crescimento dessa mão-de-obra no interior da própria Angola, se bem que ainda em 1840 se tivessem verificado exportações para o Brasil e Cuba.
O abrandamento das circulações negreiras deu lugar ao trabalho forçado dos contratados, jovens que trabalhavam essencialmente nas roças de café (terrenos de cultura situados a norte), desde o final do século XIX e durante todo o século XX, até à independência do território angolano, já que os sobas (chefes de tribos africanas) convencionavam com os contratadores (espécie de traficantes), sob a aceitação da política portuguesa.
Angola de 1900 a 1960
Com as discordâncias republicanas portuguesas, em relação ao regime monárquico e após a implantação da República em Portugal, Angola entra num período de renovação da actuação político-económica. Assim, foram construídas escolas e tomada a iniciativa da exploração dos diamantes, tendo sido criada, em 1922, a Diamang (Companhia dos Diamantes de Angola), com a sua grande actividade extractivista na Lunda.
Nos finais dos anos 30, inicia-se de forma regular a produção de café, cana-de-açúcar e milho, para fins de exportação.
Entre 1939 e 1945, procede-se à exportação do sisal, de que se salientam as plantações do planalto do Huambo, do Cubal (leste), do Kuanza Norte e de Malange.
A exportação de café, logo após a 2ª Guerra Mundial, cresce e abre um novo ciclo económico significativo até 1972, ano em que a exploração do petróleo de Cabinda mostra os seus primeiros resultados.
Outras riquezas são exploradas em Angola, a do minério de ferro, pelo que em 1957 é fundada a Companhia Mineira do Lobito que centrava a exploração das minas da Jamba e Cassinga, entregues posteriormente à multinacional alemã Krupp.
Angola às portas da descolonização
Nos anos 40, começa a emergir em Angola, por questões ligadas à política internacional, a questão da descolonização, tendo sido publicado, em 1956, o 1º manifesto do movimento independentista MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola).
No início dos anos 60, aparecem, com os mesmos objectivos, as organizações, UPA/FNLA, MPLA e UNITA, encetando movimentos de luta armada contra a política colonialista do regime ditatorial de Salazar. Para Angola vão recrutados muitos militares que suportaram, belicamente, aquele espaço colonial, permitindo o desenvolvimento da exploração industrial e agrícola.
Angola Independente
Com a implantação do regime democrático em Portugal, a 25 de Abril de 1974, a política portuguesa perspectiva a descolonização efectiva do território angolano, entrando em negociações com os movimentos independentistas e, após os acordos de Lusaka, Bicesse e Alvor, Angola toma o estatuto de nação a 11 de Novembro de 1975. Mas os movimentos pró-libertação desencadearam uma guerra que durou trinta anos desde a tomada de posse de Agostinho Neto à morte de Savimbi em 2002.
Biografia
Fontes Primárias:
Brito, Domingos de Abreu e – Inquérito à Vida Administrativa e Económica de Angola e do Brasil – Coimbra, Imprensa da Universidade, 1931
Cardonega, António Oliveira – História Geral das Guerras Angolanas – Tomos I, II, III- Biblioteca Geral das Colónias , 1942
Monumenta Missionária Africana – Vols I, II, III, V
Fontes Secundárias:
Delgado, Ralph- História de Angola – Vols I, II, III, IV – Banco de Portugal
Lopes, E. Corrêa – A escravatura – Subsídios para a sua História – Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1944
Redinha, José – Sociedades Étnicas e Espaços Sócio-Culturais
www. br. monografias.com /trabalhos/guerra-civil-angola
Autora Filomena Malva
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