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Jose Agualusa - MinhaAngola

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José Eduardo Agualusa

O PRINCÍPIO

“Em nome do povo angolano, o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola, MPLA, proclama solenemente perante a África e o mundo a independência de Angola. Nesta hora o Povo Angolano e o Comité Central do MPLA observam um minuto de silêncio e determinam que vivam para sempre os heróis tombados pela independência de Angola.”

 Agostinho Neto, em Luanda, às zero horas e vinte minutos do dia 11 de Novembro de 1975

1
Naquela noite Lídia sonhou com o mar. Era um mar profundo e transparente e estava cheio de umas criaturas lentas, que pareciam feitas da mesma luz melancólica que há nos crepúsculos. Lídia não sabia onde estava, mas sabia que aquilo eram alforrecas. Enquanto acordava ainda as distinguiu atravessando as paredes e foi então que se lembrou da avó, Dona Josephine do Carmo Ferreira, aliás Nga Fina Dia Makulusso, famosa intérprete de sonhos. Segundo a velha, sonhar com o mar era sonhar com a morte.
Abriu os olhos e viu o grande relógio de pêndulo preso à parede. Passavam vinte minutos da meia-noite. Angola já era independente. Pensou naquilo e admirou-se por estar ali, deitada naquela cama, na velha cama das Ingombotas. O que fazia naquele país? Pergunta inútil, que todos os dias a atormentava.
Mas naquele momento tinha um outro sentido: o que fazia ela ali?
Estava lúcida e não sentia nada, nem a amargura dos derrotados, nem a euforia dos vencedores (naquela noite era as duas coisas ao mesmo tempo). “É a noite do louva-a deus pousado sobre o teu peito”.
Quando era pequena o velho Jacinto falara-lhe daquilo: “Pouco depois de nasceres, a tua mãe olhou para ti e viu um enorme louva-a-deus pousado no teu peito”. Muito mais tarde, Vavó Fina voltou a recordar-lhe o episódio. Disse-lhe: “A vida vai comer-te”.
(…). Lídia acreditava em tudo o que ela dizia, inclusive nos presságios. Pensou em acordar a velha para lhe contar o sonho, mas não se mexeu. Estava sem forças. (…) Chegava-lhe aos ouvidos um rumor remoto e redondo; não conseguia separar os diferentes ruídos mas sabia que eram tiros, explosões, gritos de dor, de raiva, de euforia. Eram quase todos os sons de fúria, mas também havia gemidos de amor, latidos de cães, o profundo bater dos corações. Lídia pensou em Viriato Cruz, pensou na morte, pensou para além das janelas fechadas do seu quarto, a vida prosseguia. Sentou-se na cama, estendeu a mão e tirou da mesinha-de-cabeceira um pequeno caderno de capa preta, comprido, desses onde os merceeiros anotam a lápis as contas do dia.
“Lá fora a vida acontece”, escreveu. Riscou a frase e voltou a escrever: “lá fora a vida acontecia/em seu inteiro e bruto esplendor”.
Depois fez um círculo à volta dos dois versos e acrescentou a data “11 de Novembro de 1975”

2
No Largo Primeiro de Maio, o Presidente falava à multidão. Pouco antes de subir à tribuna um jovem oficial saltara de um jipe para lhe entregar uma mensagem do comandante Jacob Caetano, mais conhecido por Monstro Imortal. A situação era crítica: as colunas sul-africanas tinham subido oitocentos e tantos quilómetros (…). Em Quifangondo, a uma distância tão escassa que quando o vento soprava mais forte a praça se enchia da tosse nervosa das metralhadoras, militares cubanos combatiam ao lado das FAPLA contra antigos comandos portugueses, tropas regulares do exército zairense e guerrilheiros de Daniel Chipenda e Holden Roberto.
  (…)

O Presidente falou durante quarenta minutos. Quando terminou, houve por toda a praça um instante um instante de assombro.
  (…)

E então a multidão irrompeu aos gritos e numa explosão de júbilo lançou-se para diante, ao mesmo tempo que a cavalaria avançava para proteger a tribuna. Deitada na sua cama de tábuas (…), Lídia Ferreira sentiu que o ar do quarto se enchia de um violento tropel e que de novo a alcançava o abraço do mar.

3
Lídia Ferreira nasceu na Chela em 1928, numa xitaca* decrépita e isolada, meio escondida entre dois morros verdes. Quando tinha dois anos, o bisavô paterno foi buscá--la e levou-a para Luanda. Por isso, Lídia não guardou do lugar onde nasceu a memória de uma imagem, mas apenas sensações, o sentimento de alguma coisa verde e poderosa.
Em 1988 fui ao Lubango. Parti de Luanda num avião militar, um Casa, com bancos de madeira ao longo da fuselagem e pequenas janelas redondas quase ao nível do chão. (…)
Na primeira noite no Lubango jantei com responsáveis locais da juventude do partido. Ao meu lado direito sentou-se um jovem de rosto largo e cabelo rijo, cor de cobre. Apresentou-se: chamava-se Barbosa e era natural da Chela. Perguntei-lhe então se conhecia a família de Lídia Ferreira. Barbosa parou de comer e olhou para mim desconfiado:
- É minha tia- disse.- Mas nem sequer a conheço. Aliás não estou interessado em conhecê-la.
(…) Depois do jantar, veio rondar-me um sujeito de gestos pesados. Começou a falar do tempo, (…), mas depressa mudou de assunto:
- Há pouco- disse, -ouviu-o falar com o Barbosa sobre a família de Lídia Ferreira.
Aquilo, sim, surpreendeu-me. Pensei que estava metido em problemas. Olhei a direito o falinhas mansas e disse-lhe que mal conhecia Lídia Ferreira, a não ser como poetisa, mas tinha ouvido dizer que ela nascera na região. (…):
- Nasceu sim senhor- (…) – A minha mãe foi muito amiga da mãe dela.
Lídia nunca me falara da mãe. No entanto, referia-se frequentemente à avó, uma senhora de origem congolesa, e sobretudo ao avô, na verdade bisavô, Jacinto do Carmo Ferreira.
* Pequena quinta

 A POESIA
“Eu creio firmemente que é pela poesia que tudo vai começar”
  António Jacinto, em carta a Mário Pinto de Andrade, escrita em Luanda, em 1 de Fevereiro de 1952

(…)

Lídia escrevia poemas no silêncio do seu quarto. Assim que entardecia ia ao quintal colher ramos de rosas. As cigarras gritavam. Fechava-se depois no quarto e desfolhava as rosas e mastigava-as com ansiedade, sentindo-se confusamente como uma louva-a-deus fêmea a devorar o macho.(…) Lídia devorava as rosas e riscava folhas e folhas com longos poemas desconexos.

A BUSCA
“Já não sei quem fui, quem sou. Já não sei o quanto de mim é, não a vida, mas aquilo que da vida em algum livro eu”
  Lídia Ferreira, em carta a Mário Pinto de Andrade, escrita em Lisboa, a 30 de Abril de 1981

1
António Guilherme Amo, Antoine-Guillaume Amo; Antoine Willen Amo, Anton Wilhelm Amo, ou Antoni Willlem Amo, consoante as fontes nasceu na Costa do Ouro, actual região das Guines, em 1707, e foi, pouco tempo depois oferecido como escravo ao duque Brunswick- Wolfenbuttel (..).

  (…)

Foi na monografia de Cameron que Lídia encontrou pela primeira vez uma referência, ainda que breve, a vida e obra de António Guilherme Amo. Ficou tão excitada que embora estivesse em plena época de exames pôs de lado os livros de zoologia, mesologia e cáculo infinitesimal para investigar o estranho destino do filósofo guineense. (…)
No ano seguinte inscreveu-se em História. (…).
Em Agronomia, Lídia ganhou também a amizade de Amílcar Cabral.
  (…)

3
“ A Vida e Obra de António Guilherme Amo, filósofo Negro Africano”, foi o tema que Lídia escolheu para a sua tese de licenciatura. Os professores tentaram dissuadi-la: não havia sobre Amo, diziam-lhe, dados suficientes para escrever um artigo, quanto mais uma tese. Então Lídia confundiu-os, mostrando-lhes os apontamentos que tinha recolhido ao longo de quatro anos.
Um outro professor, antigo ministro de Salazar, objectou que uma tese sobre um filósofo negro, completamente desconhecido, lhe parecia tarefa inglória e, ademais, podia dar origem a interpretações incómodas:
- Vejo que você é ultramarina - disse-lhe - Porque não desenvolve, por exemplo, um tema ligado aos descobrimentos; às nossas espantosas aventuras marítimas?
“Vossas”, corrigiu Lídia. O professor olhou para ela com um ar assustado. A moça espantou-se com a sua própria audácia e então lembrou-se do avô. Viu-o sentado no quintal, falando com os outros velhos sobre o seu sonho de sempre: a independência de Angola.

4
 Era Dezembro que Lídia sentia mais falta de Luanda. Em Dezembro faz frio nas ruas de Lisboa. Uma chuva de teias-de aranha prende-se à roupa e ao cabelo. As pessoas ficam mais amargas. Em Luanda, pelo contrário, o vigor da natureza contagia tudo. O sol arde. Os pássaros cantam de euforia. Dezembro é um mês de risos e calor – o bom calor do chão. Os homens sentam-se à sombra a beber cerveja. Conversam longamente. As comadres perdoam-se ofensas antigas. Há um esplendor de acácias rubras pelas ruas. As estrelas, como diamantes, enfeitam as noites de um brilho novo.
Aos domingos, Lídia ia para a praia com as tias ou um grupo de amigas e, quando voltavam, o velho Jacinto dava-lhes um banho de mangueira no quintal.
Jacinto do Carmo Ferreira morreu em Dezembro de 1953, já centenário. (…)
Lídia arrumou as suas coisas, vendeu tudo aquilo que não podia levar, juntou todo o dinheiro e comprou uma passagem para Berlim. Foi-se embora sem se despedir de ninguém.
- Foi uma decisão súbita, -explicou-me – eu não estava em mim. (…)
Começou tudo com uma grande discussão sobre negritude. Mário Pinto de Andrade pretendia incluir alguns poemas de Lídia numa colectânea de poesia negra de expressão portuguesa.
  (…)

O EXÍLIO
  «L´éxilé partout est seul»
  Viriato da Cruz em carta a Monique Chainowiez, escrita em Pequim, em 23 de Julho de 1971

2
Em Berlim, Lídia conheceu um pintor brasileiro chamado Alberto Rosengarten. Era um homem grande e pesado, doze anos mais velho do que ela. (…)
Alberto militava no Partido Comunista Brasileiro. Era um comunista afável, bastante dado a tolerâncias pequeno-burguesas, bom copo e melhor garfo, gostando de festas, charutos caros, boxe, cavalos e toda a espécie de jogos de azar. Os amigos diziam-no imune aos ardis do amor, mas apaixonou-se por Lídia à primeira vista.
  (…)

Aqueles eram dias nervosos em Berlim. Os cafés estavam cheios de jovens. Bebiam chocolate quente com muitas natas, comiam bolos de frutas e discutiam com entusiasmo os destinos do mundo. Lídia ainda mal falava alemão e, não sendo capaz de compreender tudo o que se passava à sua volta, sentia-se perdida. (…)
Alberto Rosengarten tomou-a a seu cargo. Arranjou-lhe emprego numa editora e apresentou-a ao seu vasto círculo de amigos (…)

O DIA ETERNO

“ A NOSSA VITÓRIA É IRREMEDIÁVEL”

Manchete ocupando toda a primeira página do jornal Vitória Certa, órgão oficial do MPLA, de 31 de Março de 1975

  A EUFORIA

“Era una guerra atroz (a guerra civil de Angola), en la cual había que cuidar-se tanto de los mercenarios como de las serpientes, y tanto de los cañones

1
 O dia clareava, quando um grupo de cinco soldados das FAPLA encontrou Ángel Martínez, aliás Pablo Vivo. Ángel viu-os chegar, caminhando através da bruma: estranhos fantasmas cautelosos. Pisavam a lama como se fosse vidro. Um deles parou de repente e apontou-lhe a arma. Antes que disparasse o mercenário deteve-o com um grito:
- Qué haces, caramba, soy cubano!
  (…)
3
 - Em que circunstâncias foi presa?.
Fui presa a onze de Novembro, nessa mesma noite. Foi o Santiago que me veio buscar. Era uma coisa que estava escrita. Alguns dias antes telefonou-me um velho companheiro: “Vão-te prender”, disse-me: “Só estão à espera da independência. Depois prendem-te”. Respondi-lhe:
- Já estou presa.
 (À revolução, ao povo, ao país. Enfim, tretas)
 (…)
  (Entrevista com Lídia do Carmo Ferreira, Luanda, em 23 de Maio de 1990)

O MEDO
  “É preciso cantar os fuzilamentos!”
Francisco Borja Neves em entrevista ao Jornal de Angola de 20 de Janeiro de 1997

Lay: dezassete anos, alta, um corpo esguio quebrado na cintura. A cabeleira negra, perfumada e tão espessa que mesmo afastando os cabelos com os dedos não se via a pele. Conhecia-a no Morro da Luz, poucas horas depois de ter sido preso, juntamente com Rico.
Tínhamos visto Lídia entrar arrastada por Santiago. Para mim aquele foi o momento da verdade, o instante irreparável em que pela primeira vez me ocorreu o veneno da dúvida. Eu sabia quem era Lídia (historiadora e poetisa, fundadora do MPLA, intelectual respeitada na Europa, etc, etc,).

A FÚRIA

  “Eu poderia…”

  Inscrição numa das paredes da Cela J,
  Estabelecimento Prisional de São Paulo, Luanda, 1977

“Não sei tudo. Houve coisas que eu nunca quis saber.”
Lídia Ferreira, em carta a Mário de Andrade, escrita em Lisboa em 30 de Abril de 1981
(…)
- Foi maltratada enquanto esteve presa?

- Não. Se é isso que queres saber, fisicamente nunca ninguém me maltratou.

- Mas foi justa a interrogatórios?

- Claro, isso sim. Monte interrogou-me várias vezes. Sempre sozinho. Geralmente vinham dois soldados buscar-me à cela e levavam-me para o gabinete dele, uma sala grande, com um armário cheio de livros. Numa das paredes, por detrás da secretária, havia um retrato do Agostinho Neto. Na parede em frente eu esperava encontrar Marx ou Lenine, mas não, ele tinha pendurado uma fotografia do Vladimir Nabokov…

- Nabokov?

- Não é estranho? Um dia perguntei-lhe para que servia a fotografia e ele riu-se.
(Digo-lhes que é Engels e eles acreditam. Já reparou que ninguém conhece a cara de Engels?)
Fixada à parede tinha também uma vitrine com uma colecção de borboletas. Aquilo não eram bem interrogatórios. Acho que ele tinha necessidade de falar com alguém que o pudesse compreender.
- Falavam de quê?
Quase sempre de literatura. O Monte dizia que o futuro da literatura angolana passava pela recriação da língua portuguesa, como fazia o Luandino Vieira. Eu achava que sim, que era um dos caminhos. Mas também achava (continuo a achar) que o Luandino criou aquele estilo para escapar ao estigma da raça. Ele nasceu branco e português e queria ser angolano. Mudar de raça não podia, mas podia mudar a raça à língua. Foi o que fez.
(“A pele é só o embrulho da alma”, cito Luandino”)
  (…)

  (Entrevista com Lídia do Carmo Ferreira, Luanda, em 23 de Maio de 1990)
    O FIM

“Voltar do Fogo, regressar/a pouco e pouco / e como em fragmentos/primeiro o torso/a cabeça, depois os dedos/que apalpam o ar / em torno. / Em pânico / Logo os cabelos, a minha bela cabeleira / juvenil / Regressar do Fogo e por instante / lúcida/ brevíssimos instantes. E regressar ao Fogo”
  Lídia Ferreira, em Um Vasto Silêncio,
  Edições a Voz do Corvo, Luanda, 1992

  (…)

Photo crop B

José Eduardo Agualusa, nasceu no Huambo, Angola, a 13 de Dezembro, tendo ascendência portuguesa, pela árvore familiar materna e brasileira pela paterna.
Estudou agronomia e sivicultura no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, mas enveredou pelas artes: da literatura, como romancista e poeta, e do jornalismo.
 Foi viver para o Recife em 1998 e entre1999 a 2000, fixou-se no Rio de Janeiro.
Actualmente divide o seu tempo entre Lisboa /Luanda, com viagens ao Brasil e membro União dos Escritores Angolanos.
Para a criação de umas obras literárias beneficiou de três bolsas:
- a primeira, em 1997, concedida pelo Centro Nacional de Cultura para escrever o romance Nação Crioula;
- a segunda, em 2000, concedida pela Fundação Oriente permitiu-lhe visitar Goa durante 3 meses e na sequência desta viagem escreveu o romance Um estranho em Goa;
- a terceira, em 2001, concedida pela instituição alemã Deutscher Akademischer Austausch Dienst, proporcionou-lhe que, durante um ano de vivência, escrevesse o romance O ano em que Zumbi tomou o Rio.
Colaborações com:
- o jornal Público, desde a sua fundação
- a revista Domingo desse mesmo jornal, assinando uma crónica quinzenal
- a revista Pais e Filhos, assinando uma crónica semanal

Realizações:
- realiza o programa A Hora das Cigarras que difunde música e poesia africana.
Editor:
Em 2006, conjuntamente com Conceição Lopes e Fátima Otero, lançou a editora brasileira Língua Geral que se dedica na publicação exclusiva de autores de expressão de língua portuguesa.
A Obra:
- A Conjura, (romance,1989)
- D. Nicolau Água-Rosada e outras estórias verdadeiras e inverosímeis (contos, 1990)
- O coração dos bosques (poesia, 1991)
- A feira dos assombrados (novela, 1992)
 - Estação das Chuvas (romance, 1996)
- Nação Crioula (romance, 1997, no qual aparece o personagem de Fradiques Mendes)
- Fronteiras Perdidas, contos para viajar (contos, 1999)
- Um estranho em Goa (romance, 2000)
- Estranhões e Bizarrocos (literatura infantil, 2000)
- A Substância do Amor e Outras Crónicas (crónicas, 2000)
- O Homem que Parecia um Domingo (contos, 2002)
- Catálogo de Sombras (contos, 2003)
- O Ano em que Zumbi Tomou o Rio (romance, 2003)
- Vendedor de Passados (romance, 2004)
- Manual Prático de Levitação (contos, 2005)
- As Mulheres de Meu Pai (romance, 2007)

 Prémios:

- Prémio de Revelação Sonangol – A Conjura (1º romance)
- Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores - Fronteiras Perdidas
- Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças, em 2002 - Estranhões e Bizarrocos
- Prémio Independente de Ficção Estrangeira, promovido pelo diário britânico "The Independent" em colaboração com o Conselho das Artes do Reino Unido- O Vendedor de Passados. Foiprimeiro escritor africano a receber tal distinção.
 - Grande Prémio da Literatura da RTP - Nação Crioula

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