Ondjaki nasceu em Luanda.
É prosador e poeta, também escreve para cinema e co-realizou um documentário sobre a cidade de Luanda, Oxalá Cresçam Pitangas - histórias de Luanda”, 2006
É membro da União dos Escritores Angolanos. Alguns livros seus foram traduzidos para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês e chinês.
TRADUÇÕES
ITÁLIA
- “Il Fischiatore” - [O Assobiador]
Editora: Lavoro, 2005
Tradução de: Vincenzo Barca
- “Le aurore della notte” - [Quantas madrugadas tem a noite]
Editora: Lavoro, 2006
Tradução de: Vincenzo Barca
URUGUAY
- “Buenos días camaradas” - [Bom dia Camaradas]
Editora: Banda Oriental, 2005 (Uruguay only)
Tradução de: Ana García Iglesias
SUIÇA
- “Bonjour Camarades” - [Bom dia Camaradas]
Editora: La Joie de Lire (French rights), 2005
Tradução de: Dominique Nédellec
(also available in France)
- “Bom Dia Camaradas: Ein Roman aus Angola”
Editora: NordSüd 2006 (German rights), 2005
Tradução de: Claudia Stein
(also available in Germany)
- “Ceux de ma rue” - [“Os da minha rua”]
Editora: La Joie de Lire (French rights), 2007
Tradução de: Dominique Nédellec
(also available in France)
ESPANHA
- “Y si mañana el miedo” - [E se amanhã o medo]
Editora: Xordica, 2007, (Spanish rights)
Tradução de: Félix Romeo
INGLATERRA (UK)
- “The Whistler” - [O Assobiador]
Editora: Aflame Books, 2008
Tradução de: Richard Bartlett
CANADÁ
- Good Morning Comrades - [Bom dia Camaradas]
Editora: Biblioasis (rights for Canada/USA), 2008
Tradução de: Stephen Henighan
(also available in EUA)
MÉXICO (em curso)
- Buenos dias camaradas - [Bom dia Camaradas]
Editora:
Tradução de: Ana García Iglesias
CHINA / MACAU (em curso)
- Uma escuridão bonita
Editora:
Tradução de:
- As asas do Golfinho
Editora:
Tradução de:
PRÉMIOS:
- Actu Sanguíneu (poesia) Menção Honrosa no prémio António Jacinto (Angola, 2000).
- E se amanhã o medo (contos), Prémio Sagrada Esperança (Angola, 2004).
- E se amanhã o medo (contos), Prémio António Paulouro (Portugal, 2005).
- Finalista do prémio “Portugal TELECOM” (Brasil, 2007).
Digo, apesar de tudo, a sós comigo: sei porque escrevo; (...)
Amanheceu. O mundo é verdade. Sim, sim, é palpável.
[eugène ionesco, a busca intermitente]
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também:
aprendizagem é a palavra que, ela sim, ramifica e desramifica uma pessoa; ela enlaça, abraça; mastiga um alguém cuspindo-o a si mesmo, tudo para novas géneses pessoais.
estas palavras são para pessoas que se autorizam constantes aprendicismos. modos. maneiras. viveres. até sangues.
aprendizar não é repessoar-se?
chão
[palavras para manoel de barros]
apetece-me des-ser-me;
reatribuir-me a átomo.
cuspir castanhos grãos
mas gargantadentro;
isto seja: engolir-me para mim
poucochinho a cada vez.
um por mais um: areios.
assim esculpir-me a barro
e resser chão. muito chão.
apetece-me chãonhe-ser-me.
pastor de estrelas
[para o marinheiro carlos barbosa]
companheiro Barbosa
me atraz novidades:
"o grilo é um pastor de estrelas..."
entorno enternecitudes, assim em
emochões.
o grilo é rasante, gritante, em negrecido.
um bicho do chão, concluímos.
"mas aí está", diz-me.
"por via do chão ele despe distâncias;
está mais próximo de estrelas, pois..."
entorno espantos, encantos.
"um pastor, guiante?" - eu.
"ah pois e sim. o mais certo apastoreiro!" - ele.
e entrando em explicamentos:
"no canto do grilo as estrelas rebrilham, acendidas.
comungam luz, iluminam poeiras, universais versos.
de tanto desconhecimento em medições
o grilo ganha é abraço com estrelas;
de tanta chãotoria
o grilo estreia é intimidade com a magia";
mas elas altíssimas, despenduradas,
o grilo aquieto - patas impostas em húmida terra.
mas, Barbosa:
"estrela é brilho de sonho.
é rebanho manso, em simplicidades disponíveis.
não queira indagar mistérios.
somente dê-se a ouvitudes: ausculte o grilo
esse pastor de estrelas..."
entorno crenças, desfalecências.
arre e pio-me de silêncios.
o grilo é um adormecedor de inquietudes.
cessa o canto, o encanto.
vincadas de negrume, as estrelas grilaram-se
para sonos.
adormecimentos provisórios.
inscrição
inchaço do coração
facilita o despalavrear.
a liberdade pode advir
de uma veia.
com sangue também
se reescreve a vida.
o suicidado foi um apressado
para desconhecimentos.
a morte
ela é que espera por nós.
na vida pedincho
reindagação de cheirares:
em continuado aquestionamento.
a despalavreação
pode acrescer de uma vida.
desnoções & algibeiras
para ser grilo
há que ter algibeiras
onde também caibam silêncios.
ser sorrateiro
espreitando entre dois fios de relva.
saber fazer uma teia invisível
onde o infinito se armadilhe.
encarar o universo com
demasiada intimidade
– a modos que quintal.
saber que:
as estrelas encarecem
de carinho
e brilham para mais desanonimato;
sonetar com roncos de garganta
mas desminar rebentamentos no coração.
para ser grilo
há que ter desnoções.
viver que:
há só uma distanciaçãozinha
entre apalmilhar um quintal
e acomodar estrelas num abraço.
silêncio no voo dos mosquitos
[palavras apontadas para clarice lispector]
como se adormecidamente.
para saber silêncios
o mosquito voa acontrário
soprando para frente.
assim toda locomoção perde segredo
todo vento se desmistifica.
como se antecipadamente.
para domar zumbidos
o mosquito faz andamentos na pluma do ar:
usa patas, patinhas, patitas.
sons enveludados
– repletos de aminúsculo.
mas!, o segredo:
mais que asa
para deslocamentos
o mosquito usa alma.
borbulha – é um resultacto de fornicação.
comichão – é um sémen denunciando solidões.
como se amosquitadamente.
...
para voar com(o) mosquito
somente use um voolêncio.
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